Jesus e o Poder

O CONCEITO DO PODER

Prof. Dr. Cicero Bezerra

Desde o princípio, o poder foi estabelecido como alicerces da civilização. Foi devido ao desejo de dominar que o ser humano começou a organizar-se e a conviver socialmente. “Lutando para sobreviver, ele se estruturou a ponto de estabelecer estruturas de poder que têm prevalecido na história da humanidade.” Até onde se sabe, o ser humano é o único ser em todo o Universo que se conscientizou da significação do poder e percebeu nos primórdios de sua história que somente ele conseguia enviar esforços para alcançar resultados.

As diversas concepções do poder se definiram, quando as pessoas passaram a usar de força e autoridade para viabilizarem a sua vontade. Bertrand Russel discutiu o poder humano, classificando-o em três dimensões:

Poder sobre seres humanos. É o domínio sobre os outros, na maioria das vezes o domínio sobre o mais fraco; são os políticos opressores, dominadores sobre uma sociedade de pessoas mal esclarecidas. Como disse Ernesto Che Guevara, “um povo que não sabe ler nem escrever é um povo fácil de ser enganado.”

Poder sobre a matéria inerte. Este é o poder da ciência. Com as pesquisas e descobertas, o poder é exercido com vistas ao avanço e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Quando o poder é praticado através de pesquisas honestas e voltadas ao bem-estar da humanidade, ele gera bons resultados. Quando, no entanto, é praticado por líderes exploradores e gananciosos, o povo sofre com doenças, guerras, etc.

Poder sobre formas não-humanas de vida. Russel, no entanto, aborda o fato de que nenhuma dimensão era tão complexa e propensa a tensões como a dimensão do poder sobre os seres humanos. “Como eles são agentes morais, o uso do poder pode ter contornos positivos e negativos.”[1] “O poder possui uma eficácia produtiva, uma riqueza estratégica, uma positividade. E é justamente esse aspecto que explica o fato de que tem como alvo o corpo humano, não para supliciá-lo, mutilá-lo, mas para aprimorá-lo, adestrá-lo.”[2]

O ser humano também recebeu poder

“Pelo fato de ter sido criado à imagem de Deus, o ser humano recebeu dons que incluíam poderes identificados como dons espirituais. O exercício deste poder é visto inicialmente na administração do Universo criado (Sl 8.6). Até mesmo depois da queda, toda a Escritura continua tratando o ser humano como um ser racional e apto a tomar decisões morais.[3]

Em sua essência, o poder é:

“A ação sobre o corpo, o adestramento do gesto, a regulação do comportamento, a normalização do prazer, a interpretação do discurso, com o objetivo de separar, comparar, distribuir, avaliar, hierarquizar; tudo isso faz com que apareça pela primeira vez na história esta figura singular, individualizada – o homem – como produção do poder. Mas também, e ao mesmo tempo, como objeto de saber. Das técnicas disciplinares, que são técnicas de individualização, nasce um tipo específico de saber: as ciências humanas.”[4]

Conclusão:

Façamos bom uso da capacidade de influência que temos sobre a vida, sobre a natureza e sobre as pessoas, na prática o uso da capacidade de criar e participar da vida seja uma oportunidade para servir aos outros e promover as mudanças necessárias para que o modo de vida das pessoas melhore e os princípios da boa ética e dos valores morais prevaleçam.

 

[1] Ricardo Gondim Rodrigues. O Evangelho do Poder. In: No princípio era o Verbo. Curitiba-PR. Encontrão        Editora. 1994. p. 129

[2] FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 14ª ed. Rio de Janeiro-RJ: GRAAL.1999. p. 16

[3] RODRIGUES, op. cit. p.130

[4] FOUCAULT, op. cit. p. 20

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