Influência e Representatividade: Análise e Perspectivas Cristãs.

Influência e Representatividade: Análise e Perspectivas Cristãs.

Prof.Dr. Cicero Bezerra

 

 

Certo dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: ‘Seja o nosso rei!’. A oliveira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as árvores?’ “Então as árvores disseram à figueira: ‘Venha ser o nosso rei!’ “A figueira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar sobre as árvores?’ “Depois as árvores disseram à videira: ‘Venha ser o nosso rei!’ “A videira, porém, respondeu: ‘Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens, para ter domínio sobre as árvores?’ “Finalmente todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha ser o nosso rei!’ “O espinheiro disse às árvores: ‘Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham abrigar-se à minha sombra;” (Juízes 9:7-15).

 

 

Resumo:

Os temas relacionados a Influência e Representatividade precisam ser debatidos e analisados a partir de uma compreensão cristã, existem vários caminhos a serem percorridos para que a compreensão seja efetiva. Para nós cristãos o ponto de partida deve ser as escrituras sagradas, levando em conta a parábola de Jotão; quando as boas árvores resolveram abdicar do reino, o espinheiro assumiu o reinado. O reino foi duro os espinhos incomodam e os omissos sofreram as consequências de sua omissão. Cabe a nós cristãos identificarmos nossa postura de acordo com os princípios que norteiam a nossa fé, a omissão não é a melhor alternativa. Precisa-se conhecer como funciona o estado democrático de direito, quando não se conhece a estrutura e formulação de estado não se está pronto para influenciar, os caminhos e alternativas do estado são diferentes do funcionamento eclesiástico, a negação ou falta desse entendimento nos conduz para a periferia do debate, nos tornamos inadequados para a participação e a influência não acontece. Através desse artigo pretende-se identificar as formas de ação para que a influência seja legitima e a representatividade verdadeira.

Introdução

O debate sobre os temas propostos nesse texto, são pertinentes, cabe aos cristãos identificarem áreas que podem influenciar e também por sua vez buscar representatividade levando em conta o estado democrático de direito. O caminho a ser percorrido é longo, mas não se pode omitir de participar do debate ou buscar alternativas para que os valores relacionados a justiça, paz e integridade seja discutidos e  apontados como forma de bom viver.

Essa reflexão sustenta o fato que a representação estimula um ganho de influência política e apresentação de valores em relação ao ato sancionador pelo qual os cidadãos soberanos ratificam e recapitulam, com regularidade cíclica, as ações e promessas de candidatos que apresentam seu nome para eleições populares e outros representantes.

A emergência do “povo” (os cidadãos) como um agente político ativo não se limita a renovar instituições e categorias antigas. No momento em que as eleições se tornaram um requerimento solene e indispensável de legitimidade política e formação de opiniões, Estado e sociedade não puderam mais ser desligados e o traçado das fronteiras separando – e conectando – suas esferas de ação tornou-se uma questão persistente de reajuste e negociações continuas, isso é fazer política, os interesses uma vez definidos em busca de seus valores apresenta-se de forma legitima no estado democrático de direito.

A teoria democrática

Uma teoria da democracia representativa envolve uma revisão da concepção moderna de soberania popular que conteste o monopólio da vontade na definição e na prática da liberdade política. Ela marca o fim da política do sim ou não é o início da política como uma arena de opiniões contestáveis e decisões sujeitas à revisão a qualquer tempo. Isso amplifica o significado da própria presença política, porque faz da vocalização sua manifestação mais ativa e consoante e do juízo acerca das leis e políticas justas e injustas seu conteúdo.

Esse conceito traz a cena a emergência de novas relações sociais, perpassadas por uma crescente socialização da política e, consequentemente, permite visualizar a ampliação do fenômeno estatal. Na sociedade contemporânea o Estado se ampliou e os problemas relativos ao poder complexificaram-se, fazendo emergir uma nova esfera que é a “sociedade civil”, tornando mais complexas as formas de estruturação das classes sociais e sua relação com a política.

Teorias de representação

As teorias da representação emergem quando olhamos como o governo representativo funcionou ao longo de seus duzentos anos de história, do parlamentarismo liberal dos primórdios até sua crise e, finalmente, sua transformação democrática, após a Segunda Guerra Mundial. Podemos dizer que a representação tem sido interpretada alternativamente de acordo com três perspectivas: jurídica, institucional e política. Elas pressupõem concepções específicas de soberania e política e, consequentemente as relações entre estado e sociedade específicas. Todas elas podem também ser usadas para se definir democracia (respectivamente, direta, eleitoral e representativa). Contudo, apenas a última faz da representação uma instituição consonante com uma sociedade democrática e plural

Na política representativa, diferentemente da democra­cia direta, os eleitores não são meras quantificações. Eles espelham a complexidade de opiniões e de influência polí­tica, nenhuma das quais é uma entidade computável arit­meticamente. Quando traduzimos idéias em votos, estamos emitindo opinião representativa que busca alcançar determinados ideais, para os cristãos qualquer posicionamento o politica representativa deve apontar, pleitear, os valores do reino de Deus, justiça, paz, bondade, generosidade, entre outras virtudes.

 A respeito dos partidos políticos

Os partidos políticos devem articular os interesses das classes que representam, a partir de pontos de vista periféricos. Eles são associações parciais-contudo-comunais e essenciais para referências que possibilitam aos cidadãos e representantes se identificarem uns aos outros (e aos demais) e formarem alianças e, além disso, situarem ideologicamente os compromissos que estão prontos a estabelecer, as causas cristãs estão relacionadas com: a família tradicional, preservação da paz, contra o aborto, combate as drogas, educação eficaz, liberdade religiosa.

Conclusão:

            A influência cristã e a sua representatividade serão construídas a partir dos valores cristãos as propostas ensinadas por Jesus no sermão do monte ainda ecoam, ajudar aos pobres, identificar as necessidades dos oprimidos, buscar e promover a justiça, buscar a paz entre os povos e promover a igualdade, nesse texto foi abordado a forma de participar e influenciar a partir do estado democrático de direito, através da eleição de homens e mulheres que se identificam com as causas cristãs, pode-se propor alternativas para mudança e não conformidade com uma sociedade exploratória onde o individuo é aniquilado e transformado em apenas um número. Pretende-se com essa análise buscar espaços e exercer influencia cidadã cristã, demonstrando que os ensinamentos do Mestre ainda perduram e muitas pessoas podem ser ajudadas.

 

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