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Sem dúvida, a Internet constitui um novo foro, entendido no antigo sentido romano do lugar público em que se decidia sobre a política e o comércio, onde se cumpriam os deveres, se desenrolava uma boa parte da vida social da cidade e se expunham os melhores e os piores aspectos da natureza humana. Tratava-se de um espaço urbano apinhado e movimentado, que refletia a cultura circunvizinha e criava uma cultura que lhe era própria. Isto não é menos verdadeiro no que se refere ao espaço cibernético que é, por assim dizer, uma nova fronteira que se abre no início do milênio. Assim, como as novas fronteiras dos outros tempos, também esta está cheia da ligação entre os perigos e promessas, e não é desprovida do sentido de aventura que caracterizou os outros grandes períodos de mudança. Para a Igreja, o novo mundo do espaço cibernético é uma exortação à grande aventura do uso do seu potencial para proclamar a mensagem evangélica. Este desafio está no seu potencial para proclamar a mensagem evangélica (João Paulo II, 2002)

Mesmo a internet tendo sido identificada como um instrumento com grande potencial as instituições religiosas ainda pretendem ter um controle eclesial, prescrevendo orientações sobre como o cristão deve agir nesse espaço virtual e pretendendo transformar essa atividade numa forma de catequese e doutrinação , agindo dessa forma as igrejas podem comprometer suas ações nesse ambiente, na grande rede a autonomia e liberdade do sujeito é fundamental para que ela cumpra plenamente o seu papel, na rede o indivíduo fala de suas intimidades chega ao ponto de compartilhar temas absurdos, o espaço cibernético não pressupõe controle, acontece de tudo, desde os pensamentos clássicos e acadêmicos até mesmo as idiotices sem fundamentos que é comum aos mortais, nesse contexto corre-se o risco de não se fazer bom uso dessa ferramenta de comunicação jamais vista na história da humanidade.

A mídia de massa[1] não é uma ação intuitiva, ela é bem fundamentada e usa bases cientificas[2] porque está apoiada em teorias sociais, nesses movimentos populares encontram-se ideologias muito mais visando resultados números do que ações que resultam em benefícios para as pessoas. No ambiente da religião as ações de massa visam propagar e resgatar uma hegemonia religiosa do catolicismo, essas ações resultam as mais diferentes opiniões a respeito. Os protestantes pregam dizendo que esse espaço das massas é deles, porque propõe uma mensagem pura do evangelho, os redutos católicos mais convencionais ou tradicionais não estão abertos para um diálogo a respeito do assunto. Autores como Della Cava, 2002[3], chegam a apontar o tema de uma neocristandade, um novo cristianismo que alcança novos cristãos com uma nova mensagem, uma chamada mais virtual, menos relacional e mais popular usando as regras da comunicação em massa

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[1]Além disso, é necessário também lembrar o papel estratégico da mídia de massa na visibilidade das questões públicas nas democracias contemporâneas. Estas democracias funcionam em sociedades complexas, socialmente diferenciadas e fortemente segmentadas em seus interesses políticos e culturais por clivagens de classe, gênero, etnia, geração etc. Nesse contexto, como é o caso brasileiro, diversos temas e questões competem entre si para obter atenção da opinião pública e só se transformam verdadeiramente em questões públicas quando ganham visibilidade nos meios de comunicação de massa. Há, assim, na arena midiática, uma disputa incessante entre as várias agendas postas em circulação por diversos atores sociais e políticos, inclusive a própria imprensa que, em momentos excepcionais ,pode vir a assumir a posição de ator principal do processo político. Portanto, a visibilidade/invisibilidade dos atores, temas e demandas dependem em larga medida, no regime democrático, do grau de pluralidade externa existente no sistema de mídia ou da pluralidade interna praticada em cada jornal, revista ou emissora de TV e rádio. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-62762006000100004 10 11 2016

[2] No mundo acadêmico há uma constante preocupação em legitimar o discurso das Ciências da Comunicação (perante outras ciências) através da delimitação de suas fronteiras. No entanto, o que é visto por alguns estudiosos como uma das fragilidades da Comunicação, é também uma de suas características mais importantes por incentivar o constante diálogo com outras ciências, aproveitando categorias e metodologias já existentes e criando novas. E em mundo com cada vez menos fronteiras – sejam elas físicas ou virtuais – a delimitação do objeto de estudo é uma necessidade, mas sua análise abrangente, acolhendo diferentes olhares, respeitando-os e dialogando com eles, é uma obrigação do pesquisador que deseje estudar as mídias digitais e sua relação com a realidade social.http://static.scielo.org/scielobooks/k8s27/pdf/gobbi-9788579831010.pdf 11 11 2016

[3] DELLA CAVA, Ralph. Transnational Religions: Roman Catholic Church in Brazil (2001). In: Association for the Sociology of Religion, Ltda. Gale Group, Copyright 2002.

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